quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

LES BAS-FONDS DU FUNK

Do Cais do Sodré ao Intendente



O Funk, Metal ou não, não se quer decente. Quer-se suado! Nunca vos passe pela cabeça que eu advogo a decência, hã?
SEX & DRUGS & ROCK & ROLL!!!
Tal como a Santíssima Trindade – é indivisível.


 
Quando penso em drogas Funky vem-me à cabeça a branca – não, não tá a vir ao nariz! – o que não faz sentido nenhum, porque todos sabemos que o melhor Funk é negro. Ainda assim, quando penso em Funk lembro-me da cena do filme «Summer of Sam» em que um casalinho de disqueiros (ya… Tou a falar de Disco, mas esse é parente do Funk) vai ver uma banda punk ao CBGB e acagaçados com a punkalhada, vão é para uma boîte dançar e encher as narinas e acabam numa orgia. FUNKY!!!


É por estas e por outras que o Funk tem a conotação sleazy que o torna a banda sonora ideal para ilustrar os ambientes de formas de expressão cinematográfica bem diversas das salganhadas de afro-italianos (o «Summer of Sam» é do Spike Lee logo, mesmo sem pretos, é afro!) com punks e discotequeiros.
 

 E o que tem isto tudo a ver com o Funk Metal? Bem, se compararmos o cinema de autor afro do Spike Lee, devidamente empacotado para o sucesso comercial, com a chungaria que se ficou pelas pensões rascas e fizermos o paralelo com o mundo da música é o mesmo que dizer que umas bandas foram para a MTV ganhar prémios e merdas dessas e outras ficaram a arrastar-se, tocando em bares, desde o Cais do Sodré até ao Intendente lá do sítio.
E, da mesma forma como há muito mais filmes de javardeira do que cinema com conteúdo e grande produção, a maior parte das bandas ficaram-se pelas lantejoulas baratas e foram mais ou menos obscuras. E não é uma boca racial! Que mania!!!

'Bora lá então percorrer as esquinas e ver os melhores encontros fortuitos que o género teve para dar.

Comecemos a apreciar a mercadoria pelos What Is This, banda com um tal de Alain Johannes como mentor (que virá a tocar com uma data de gente dos Rocks alternadeiros) mas também com a maioria dos Red Hot Chili Peppers originais (Flea, Slovak, Irons). Só o Kiedis é que não cantarolava por lá - mas era roadie.


Acreditam que o Slovak e o Irons chegaram a deixar os Red Hot (antes do primeiro álbum) por pensarem que os What Is This é que eram a banda com futuro? Pobre do guitarrista, Hillel Slovak, se tivesse persistido na crença não teria feito carradas de dinheiro e, se calhar, não morria do acidente de hipismo comum a tantas estrelas de Rock!

 
 
Noutras andanças da vida, funkavam os Royal Crescent Mob, de quem quase ninguém ouviu falar, uma vez que não conseguiram sair das ruas de má-fama. O que é uma pena (ou não... Pelo menos estão todos vivos)... O seu Funk Punk, expresso num par de álbuns: «Omerta» de 1987 e «Something New, Old And Borrowed», de 1988, dava para concorrerem com os Red Hot. Depois, com o sucesso destes e com as grandes editoras a assinarem tudo o que snifasse Funk metalo-apunkalhado, os RC Mob ainda foram engatados mas, mesmo assim, não chegaram a atacar nas avenidas, ficando-se mesmo pelas esquinas.
Funk Punk dirão vocês? Claaaro, os punks do filme de que falei lá atrás (o filme decente, da orgia) iam partir a tromba era a uns disqueiros não a uns funkeiros... Não é a mesma coisa!
De qualquer modo, só para chatear, o teledisco que se segue (sim - "teledisco"! Sou cota.) já é da fase mais mainstream: do álbum de 1991, «Midnight Rose's». Porquê? Ora! Tem mais gajas, por isso fica melhor neste artigo!




E claro que já há pessoal a rabujar que o Funk não é Punk. Pois, bocas dessas vão logo pela sanita, que eu não ouvi e os Tar Babies também não. Vindos do Wisconsin, onde o que há mais é vacas (a sério... leitinho!) gravaram, nos 80's, uns quantos álbuns de Post-Hardcore afunkalhado (a maioria editados pela SST, dos Black Flag). Recomenda-se, particularmente, o «Fried Milk» ('tão a ver?) de 1985.
 
 

Mas é melhor seguir em frente que já estou para aqui a falar de PÓS-Hardcore e vocês, depois de lerem sobre hipismo e sobre música negra que funciona a branca, ainda ficam com a ideia errada de que estou para aqui a fazer uma apologia das drogas... NEM PENSAR! Só dos efeitos.

Este é um blog de música, hã? Aqui fala-se de METAL \,,/
Do Metal que me corre nas veias, topam?



As escapadelas dos metaleiros (mas daqueles mesmo, mesmo metaleiros) pela night Funk foram fugazes, autênticas rapidinhas, porque, como se espera, homens a sério não se sentem à vontade na pista de dança.
É sabido que os que lá ficaram muito tempo viraram para o outro lado, abandonando a Verdadeira Fé do Metal \,,/ ouvindo outras músicas e tornando-se drógados. Sim, porque a cerveja não é droga!

Nunca percebi a aversão dos Verum Metallum a tudo o que é Funk, Soul, Reggae e etc., até porque uns dos Deuses Criadores sabiam funkar, e bem...







É da facção Glam da metalada que virão os melhores exemplos de Funkismo. Isto deve-se, evidentemente, a que estes roqueiros de batom e rímel sentem-se melhor de lantejoulas do que as hordas de guerreiros do cabedal e dos picos (o que não é um look nada gay...).
Deste modo, a especialidade do travestismo também é oferecida nas vielas do Funk Metal.

Se os Extreme, do açoreâne Nuno Bettencourt, são a banda que mais sucesso gozará de entre os funkeiros glamorosos, indo atacar para as avenidas principais, continuará a ser nos bares rascas que se encontram os melhores exemplos do género.
Os Electric Boys, do guitarrista Conny Bloom, vêm da Suécia - país com tradição de metaleiros travestidos, iniciada pelos Hanoi Rocks, de que Bloom fizera parte. «Funk-o-Metal Carpet Ride», de 1989, é uma jóia glam que qualquer drag queen metaleira gostaria de usar.
 
 
 
De volta a Los Angeles e ao comércio da Sunset Boulevard, breve foi a história dos Lock Up, que atacavam nessa avenida para conseguir que lhes fosse estendida a passadeira vermelha. Ficaram-se pelas casas com a luzinha da mesma cor à porta.
Pela banda pontuaram um tal de D.H. Peligro, ex-Dead Kennedys e também ex-Red Hot -(devia estar com falta de guita para a branca) e também o guitarrista Tom Morello, que foi salvo da vida de licenciosidade pelo rapper Zack de la Rocha que, munido de «O Capital» de Karl Marx, lhe fez ver que andava por maus caminhos, o recrutou para a Revolução e, juntinhos, formaram os Rage Against the Machine. Esses, como toda a gente sabe, viriam a ser uma das bandas mais importantes de Metal Alterno dos 90's mas isso já é história para outro capítulo.
 

 


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

AS ORIGENS DO METAL ALTERNATIVO 2

Niggizz Can't Sang Rock & Roll

 

Eis-nos de volta, após termos chegado à brilhante conclusão de que o Stevie Wonder é o Santo Patrono de tudo o que é Metal Alternativo, aceitando no entanto que a sua ascendência é mais verificável no Metal de índole Funkeira. Nada mal, hein? Construções lógicas destas são impagáveis. Impagáveis, uma porra! Esperem só até eu perceber como é que faço os links para receber donativos… Ora essa!

Claro que os Mother’s Finest, que até lançaram um álbum homónimo em 1973 (e um outro também só chamado «Mother's Finest» em 1976, o que dá para fazer uma confusão dos diabos), e cuja música assentava num balanço entre riffs de guitarra pesados e solos e em ritmos funky acentuados com vocalizações da melhor Soul da Motown, não são para aqui chamados, uma vez que não me dá jeito. Sabem como é, para se fazer uma boa tese deve-se eliminar toda a informação relevante que não vá de encontro às nossas ideias – mesmo que seja boa informação! Acho que vi esta merda num filme qualquer…



JÁ CHEGA DE PALEIO INTELECTUAL! CURTAM MAS É ESTA DESBUNDA...


E pronto, agora que já verificámos que os Mother’s Finest não influenciaram nada, nadinha, coisíssima nenhuma, tudo o que for Funk metaleiro que se segue a eles – aliás, nas suas próprias palavras “Niggizz Can't Sang Rock & Roll” – podemos seguir em frente.

É nos últimos anos dos 80's que o Metal de Alterne, como doravante passará a ser conhecido, no seu lado mais Funkeiro, vestido de lantejoulas e de Black Pride, se define numa forma definitiva, incorporando além do Heavy Metal, do Funk e da Soul (está provado que nos 80’s é que havia alma, por isso é que estão na moda), o Hardcore e o Thrash mas também o Reggae, o Rhythm and Blues e o Rap, para tornar a salada mais apetitosa.

Não se pense, no entanto, que essas bandas seguiam uma fórmula. Ná! Eram bastante distintas entre si e é assim que levarão o alternanço, de dança em dança pelos 90's adentro.


Uma das bandas mais exemplares para se ter uma ideia dessa salganhada de estilos são os 24-7 Spyz (é para ler “Twenty-Four-Seven Spies”), da Bronx (Bang! Bang!) em Nova Iorque. Recomenda-se os dois primeiros álbuns: «Harder Than You», de 1989 e «Gumbo Millennium», de 1990.

ISTO É O QUE ACONTECERIA SE O DIO TIVESSE CARAPINHA:
 

 
A fusão siderúrgica do Metal com o Funk e outros géneros que a maior parte dos heavys detestam vai ser uma cena internacional. É da Holanda – de onde mais podia ser pá? Os gajos fumam brocas à vontade e compram cogumelos mágicos como se fossem de supermercado – que nos chegam um dos melhores exemplos de alterne. Alterne? Não, porra! Não sabem que basta passear por De Wallen, para terem melhor que isso? Em vez de uma gaja que tá a ver se vos embezana, até vos amaciam o pêlo.


Ooooops!!! Enganei-me! E quem é que vos manda serem rebarbados? Bem, pelo menos isso tem as suas vantagens e, como é óbvio que viram o sketch até ao fim para ver se viam umas mamas, paparam com a campanha, o que não vos fez mal nenhum.
Mas que merda é essa de irem às putas? Foda-se! Querem dar uma, arranjem paleio, tratem bem a mulher que desejam, dêem-lhe flores, etc. É preciso explicar?
Vá, desta é a sério - da Holanda, os Urban Dance Squad:
 
 
Deixando o melhor para o fim, não podia terminar este apanhado de afro-gringos holandeses, que funkam no alterne sem falar da banda que mais sucesso teve nesta dança.
 
Falo dos Living Colour, do guitarrista Vernon Reid - um autêntico Eddie Van Halen de carapinha. Sim, Van Halen e não Jimi Hendrix, que os licks de guitarra (se calhar as lambidelas também, não experimentei) do Reid são na onda do primeiro, não do segundo. Aviso, desde já, que essa mania de comparar todos os guitarristas pretos ao Jimi soa a racismo. E depois, o Van Halen é de origem holandesa por isso tem muito mais a ver com o assunto do que um Hippie agarrado que sufocou no proprio vómito. Essa nojice não é nada Funky!
 
Sendo, também eles, novaiorquinos, e embora não me pareçam ser da Bronx (Naaã! Têm mais ar de meninos...) é no circuito hardcoriano do CBGB's que vão, desde 1984, ganhar o traquejo e a credibilidade das ruas para serem levados a sério pelas comunidades punko-metalianas, que por muito paleio que tivessem da "união faz e força" e merdas do género, e da idolatria dos Bad Brains, na realidade, eram poucos os negros que se movimentavam no meio, cirandando estes mais pela então emergente cena Hip Hop.
 
Nos anos seguintes, e até acabarem a meio dos 90's, vão produzir três álbuns excelentes («Vivid», de 1988; «Time's Up», de 1990; e «Stain», de 1993) que, não só nos fazem saracotear a peida ao som do melhor que se fez em termos de alternanço funkeiro (experimentem lá fazer isso e 'air guitar' ao mesmo tempo! É cá um exercício...), como vão parar ao topo das tabelas de vendas, legitimando o Black Metal (Metal Negro, certo?) entre as legiões de WASPes da Gringolândia, não que nós queiramos saber de Brancos, Anglo-Saxões, Protestantes para alguma coisa e ainda menos de sucesso, lantejoulas e merdas dessas uma vez que aqui a malta mora na subcave esquerda do underground... Olha a porra!
 
 
NIGGIZZ CAN SANG ROCK & ROLL!!!
 
 
 
 

AS ORIGENS DO METAL ALTERNATIVO

Funky Crime



Antes que comecem todos a dizer que só digo disparates (Eu? Alguma vez…), é melhor ser-se um pouco mais rigoroso (pois...)!

Assim, é de frisar que os Red Hot Chili Peppers já tinham lançado o seu primeiro álbum de Funk mutante em 84. Mas esses não contam porque toda a gente sabe que são uns vendidos e os Bad Brains nunca se deixariam influenciar por um bando de surfistas agarrados, pois 'tá claro!

 
* Além de que este primeiro álbum é assim a dar para o fracote...
 
Em 1985, os Red Hot lançam «Freaky Styley». Esse sim, é um verdadeiro candidato a ser o primeiro álbum, se não de Metal Alternativo, pelo menos de Funk Metal. Mas o disco, com produção de George Clinton… Não sabem quem é?! O irmão negro do Bill, porra! Andava o Bill Clinton pelo Verão do Amor com miúdas Hippies a fazerem-lhe mamadas quando o mano preto mais velho já Funkava  o mundo inteiro.
                         Chiça! Esta gente não sabe nada!


O SENHOR ABAIXO É O MANO PRETO DO EX-EX-PRESIDENTE DOS E.U.A.
O Mundo era mais feliz se fosse ele a governá-lo!

 
Mas, dizia eu, o irmão mais velho do futuro Presidente dos Estados Unidos da Gringolândia produziu o segundo álbum dos Red Hot para grande efeito em termos de Funk, mas a sonoridade centrada no baixo ainda não faz com que o disco tivesse o apelo Crossover que os álbuns seguintes iriam ter, apesar da javardeira punkalhosa de malhas como esta:
 


Mas é no álbum seguinte, «The Uplift Mofo Party Plan», que começaram mesmo a atinar e a atrair uma legião de punks ranhosos, metaleiros piolhosos, surfistas e louras boas e skaters betos que viram o filme “Thrashin’”.


 
Filme de caca, entenda-se! É sobre um bando de skaters maus e um skater bonzinho que quer papar a namorada ou a irmã do chefe dos maus… Ou então é o contrário, não sei, não me lembro e não quero saber. Aquilo é do piorio: mal feito, manhoso, piroso, foleiro! O que safa o filme (ou pelo menos aquilo de que me lembro é o playback dos Red Hot numa sala cheia de skaters com um ar perigosiiiíssimo e uma cena de perseguição de carros, foda-se!, perdão… de skates, ao som dos Circle Jerks.

A cena dos Red Hot...


A cena dos Circle Jerks...
(que não têm nada a ver com o assunto, mas prontos)...

Já agora, as minhas desculpas pelo intervalo publicitário: Só falo deste filme merdoso, que é para ver se faço muita publicidade e se isto dá dinheiro!!!
 
(...)
 
Bem, não nos dispersemos... Estou a enumerar as primeiras bandas que Funko-Metalaram e estava-me a esquecer dos Fishbone, paaaaá? Porra!
Será que os podemos considerar a primeira banda de Funk Metal? Já andavam nisto desde 1979 e o primeiro álbum («In Your Face») é de 1986? Naaaá... Muito mainstream, não lhe podemos dar muito crédito quanto a influenciarem a música dos 90's. Óbvio!
 

O melhor então é falar dos Funkadelic, não? Não só é a banda do mano negro do Clinton que apadrinhou os Red Hot (esperemos que não se tenham posto de joelhos) como, de certeza, que os Bad Brains davam nesse produto...
Pois... Free Your Mind and Your Ass Will Follow ;)




MAU! Mas este gajo tá a dizer que os Funkadelic influenciaram de alguma forma o futuro do Metal, do Punk, ou de outras instituições associadas?! Mau, mau, Maria! Haja bom senso! Daqui a pouco ainda vem para aqui dizer que o Stevie Wonder é alguma coisa de jeito...

Ehhh... Pois!
 

CONCLUSÃO:
O Stevie Wonder é um dos criadores do Metal Alternativo.

 
 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

BAD BRAINS «I Against I», 1986

 
 

O «I Against I» dos Bad Brains tem a honra de poder ser aclamado como o primeiro álbum de Metal Alternativo.

Peraí!!! Metal Alternativo?! Mas que merda é essa? Primeiro, os Bad Brains são uma banda Punk ou Hardcore se preferires, ó Xico esperto e, rastas ou não, não têm nada a ver com guedelhudos. E, segundo, Metal é Metal – não é cá ligas sintéticas e essa treta do Metal Alternativo cheira a plástico…

ISTO É QUE É BAD BRAINS!!!


Pois, pois, tá bem. Então vamos lá… Para já, os Bad Brains, que até quase inventaram o Punk Hardcore sozinhos, não são Punks e uma coisa não tem nada a ver com a outra. São músicos extraordinários que mostraram a capacidade e a vontade de desbravar novos caminhos e não me parece que estivessem muito preocupados com etiquetas. E se o espírito do «I Against I» é obviamente Punk, a sonoridade não o é – passou para lá dessa limitação, integrando o Heavy Metal com o Punk e, principalmente, com o Funk, abrindo os portões, em 1986, para a explosão do Funk Metal e do Metal Alternativo que se seguiria (Faith No More, Red Hot Chili Peppers, Fishbone, Living Colour, 24-7 Spyz, etc.).

Se bem que, nestas coisas, deve-se ser rigoroso (pois...) e frisar que os Red Hot já tinham lançado o seu primeiro álbum de Funk mutante em 84 mas esses não contam porque são uns vendidos e os Bad Brains nunca se deixariam influenciar por um bando de surfistas agarrados, pois tá claro! Hum... E  os Red Hot dão mais no slap de baixo do que no riff de guitarra! A moca é outra! 

E depois, por acaso, o Metal é um dos poucos géneros em que a palavra “alternativo” até faz sentido como designação de uma sub-espécie. Este disparate do Rock Alternativo é que não tem ponta por onde se lhe pegue. Alternativa a quê? Estas musiquetas “independentes” não fazem já parte de um gosto estandardizado? Mas, no campo do Heavy Metal, que tem normas de funcionamento tão rígidas – se alguém mija fora do penico parece que os cornichos mirram logo – introduzir sonoridades alienígenas é realmente oferecer uma alternativa musical.

Para ser sincero, a primeira vez que ouvi o disco fiquei desiludido e com vontade de o atirar à parede e ficar com uma data de estilhaços de vinil. Porra! Queria ouvir Hardcore… “Pay to cum/ Pay to fight… Tralalá!!!”, que era das coisas mais speedadas que já tinha ouvido e os gajos saem-se-me com Funky em mais de metade das músicas?! She’s calling You, Sacred Love, etecetera e tal?

Claro que, com música tão boa como a que aqui é oferecida e com um pouco menos de parvoeira juvenil a coisa passou-me e o som entranhou-se, tornando-se o «I Against I» um dos álbuns que considero, justamente, um clássico indiscutível e único da sua espécie. Se é possível que alguém ainda não o conheça, faça o favor a si próprio de o ouvir e entrar nesta boa onda.


 
 

MANIFESTO

 

Neste blog vou falar de música, ou melhor, destilar veneno e distribuir bordoada, consoante o grau de subtileza e de carinho com que decida mimar os objectos abordados.
 
E só prometo não respeitar ninguém: nem aleijadinhos nem atrasadinhos; nem surfistas da banheira nem as louras que eles não emprancham; nem thrashers retardados nem travestis suecos ou de L.A. que dão no Glam ou outros Ardes-Éfe-Émes associados; nem punques ranhosos nem hippies mal-cheirosos; nem betos do skate nem intelectuais da-esquerda-da-direita-ou-do-meio; nem straight edges de cabeça direita nem alcoólicos ou drogados carochos; nem homens do Heavy Metal à séria (barba rija e tudo) mas que cantam fininho nem hardcores que dançam todos juntinhos em tronco nu a mostrarem as tatuagens; nem rastas ganzados numa de paz e de ai-é-não-sei-se-é nem niggas ganzados da rima com pistola e sem escola; nem sequer roqueiros sulistas que não morreram com o avião nem os anjinhos nem o diabo a sete que não me lembro de mais nada. Se houver por onde pegar é para pegar.
 
O fel é oferecido gratuita e democraticamente – é para todos, não há cá pruridos com credo ou religião, raça, opções políticas, género ou orientação sexual. Levam todos!
 
Mas o assunto é música, não vão vossemecês pensar que é outra coisa, hã? A música de que eu gosto, obviamente, e que me apeteça divulgar ou comentar. Os géneros que serão mais tratados serão o Heavy Metal e o Punk Rock (no sentido mais lato que conseguirem conceber para estas subculturas) mas haverão digressões por outras formas musicais.
 
Mas e para quê mais um blog de comentário e/ ou divulgação musical? Ora! Simplesmente porque me apetece e porque me dá gozo fazê-lo. E depois acredito que alguém terá gosto em ler os meus devaneios e divertir-se com eles, conhecendo alguma coisa nova no entretanto. Isto para além de me assegurar uns trocos dado que tenho uma data de contratos secretos com as editoras discográficas! Shhh…
 
Além das novidades, penso também estar-me aqui a divertir à volta de álbuns que considero clássicos, de falhanços e (e esta é um ponto de honra) a defender discos de que toda a gente adora odiar, nem que seja só para ser do contra. Ah… Além de umas cronologias peculiares de que me lembrei. E tudo isto, PORQUE EU SEI QUE TENHO RAZÃO.
 
Os meus textos, ou diatribes, não são politicamente correctos. Por isso, se alguma comadre for muito sensível e não gostar do que ler tem bom remédio: não leia mais, saia da frente da merda do computador e vá ler um livro que é para ver se aprende alguma coisa em vez de me estar para aqui a aturar. Olha a porra!