O «I Against I» dos Bad Brains tem a honra de poder ser aclamado como o primeiro álbum de Metal Alternativo.
Peraí!!! Metal Alternativo?! Mas que merda é essa? Primeiro, os Bad Brains são uma banda Punk ou Hardcore se preferires, ó Xico esperto e, rastas ou não, não têm nada a ver com guedelhudos. E, segundo, Metal é Metal – não é cá ligas sintéticas e essa treta do Metal Alternativo cheira a plástico…
ISTO É QUE É BAD BRAINS!!!
Pois, pois, tá bem. Então vamos lá… Para já, os Bad Brains, que até quase inventaram o Punk Hardcore sozinhos, não são Punks e uma coisa não tem nada a ver com a outra. São músicos extraordinários que mostraram a capacidade e a vontade de desbravar novos caminhos e não me parece que estivessem muito preocupados com etiquetas. E se o espírito do «I Against I» é obviamente Punk, a sonoridade não o é – passou para lá dessa limitação, integrando o Heavy Metal com o Punk e, principalmente, com o Funk, abrindo os portões, em 1986, para a explosão do Funk Metal e do Metal Alternativo que se seguiria (Faith No More, Red Hot Chili Peppers, Fishbone, Living Colour, 24-7 Spyz, etc.).
Se bem que, nestas coisas, deve-se ser rigoroso (pois...) e frisar que os Red Hot já tinham lançado o seu primeiro álbum de Funk mutante em 84 mas esses não contam porque são uns vendidos e os Bad Brains nunca se deixariam influenciar por um bando de surfistas agarrados, pois tá claro! Hum... E os Red Hot dão mais no slap de baixo do que no riff de guitarra! A moca é outra! E depois, por acaso, o Metal é um dos poucos géneros em que a palavra “alternativo” até faz sentido como designação de uma sub-espécie. Este disparate do Rock Alternativo é que não tem ponta por onde se lhe pegue. Alternativa a quê? Estas musiquetas “independentes” não fazem já parte de um gosto estandardizado? Mas, no campo do Heavy Metal, que tem normas de funcionamento tão rígidas – se alguém mija fora do penico parece que os cornichos mirram logo – introduzir sonoridades alienígenas é realmente oferecer uma alternativa musical.
Para ser sincero, a primeira vez que ouvi o disco fiquei desiludido e com vontade de o atirar à parede e ficar com uma data de estilhaços de vinil. Porra! Queria ouvir Hardcore… “Pay to cum/ Pay to fight… Tralalá!!!”, que era das coisas mais speedadas que já tinha ouvido e os gajos saem-se-me com Funky em mais de metade das músicas?! She’s calling You, Sacred Love, etecetera e tal?
Claro que, com música tão boa como a que aqui é oferecida e com um pouco menos de parvoeira juvenil a coisa passou-me e o som entranhou-se, tornando-se o «I Against I» um dos álbuns que considero, justamente, um clássico indiscutível e único da sua espécie. Se é possível que alguém ainda não o conheça, faça o favor a si próprio de o ouvir e entrar nesta boa onda.

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